Fonte: acervo do autor
Maria da Conceição Ferreira Viana Aguiar, simplesmente
Conceição Aguiar Uma
mulher que faz o que gosta e gosta do que faz.
Mulher
resolvida, esbanjando vitalidade, assim é Maria da Conceição Ferreira Viana
Aguiar, ou simplesmente Conceição Aguiar. Alagoana, das terras de Zumbi, União
dos Palmares, traz em seu DNA o código que se abre para uma imersão
perfeitamente integrada entre o seu ser e o ser maior que é o todo e tudo à sua
volta. É uma artista de muitas tendências na arte.
A
opção pelo casamento fez com que nossa artista deixasse seu pedaço de chão e,
entre tantos lugares, fixasse raízes nas terras de Serigi. Por aqui, Conceição
criou seus filhos, cultivou amizades e (re)descobriu partes de seu universo
sensível, muito bem plantadas na infância sob a influência de seus genitores –
o pai era músico e a mãe fazia rendas.
Puxando
pela memória, Conceição diz já morar no Conjunto Beira Mar há mais de 30
anos, tendo sido, juntamente com dona Vivi, entre outros, uma de suas primeiras
moradoras. A opção de vir morar no Beira Mar foi em virtude de ser um conjunto
novo — adquiriu seu imóvel ainda em construção —, por ser isolado do centro
urbano e por oferecer uma qualidade de vida boa para os padrões da época. No
entanto, como todo residencial que está sendo implantado, carecia de
infraestrutura, transportes e serviços; então, tudo tinha que ser feito ou
adquirido fora, o que, nesse caso, implicava sempre em percorrer uma boa
distância para outros lugares da cidade.
A
praça sempre foi um espaço de muita significação. No passado como no presente,
as praças possibilitam encontros que afetam a vida dos moradores que delas
fazem uso. A praça Dom José Brandão, ou simplesmente a praça da Associação,
como a chamamos, é um desses espaços inspiradores. Não é incomum encontrar
Conceição sentada na praça do conjunto Beira Mar, logo em frente à sua
residência, fazendo arte. A artista, a praça e seu artesanato estão tão
integrados que arrisco dizer tratar-se de um ambiente de múltiplas inspirações.
Mesmo sabendo que ela tem seu ateliê de trabalho, quando a vejo produzindo seu
artesanato ali, sinto como se a praça fosse um imenso ateliê.
Conceição
é uma artista de múltiplas facetas. Ela pinta, borda, faz bonecas de tecido e
revela sua paixão pelas colchas de retalhos, hoje chamadas de patchwork
(nossa artesã sorri com essa americanização). A renda — sim, ela também é uma
“mulher rendeira” — diz que ficou latente em suas lembranças dos primeiros sete
anos de vida. Só mais recentemente resolveu trazer à tona essa arte. Foi, então,
à procura dos bilros, que, segundo a artesã, não podem ser quaisquer uns.
Quanto à almofada, ela mesma a confeccionou. Recebeu algumas instruções e,
pronto... estava de volta à memória da infância. Hoje, diz fazer suas peças de
renda de bilro para presentear as pessoas queridas.
Como
artista plástica, Conceição Aguiar, como assina suas telas, participou de
inúmeras exposições. É uma presença constante em eventos promovidos pela
Associação Sergipana de Artistas Plásticos e de Artes Visuais e no Encontro
Cultural de Laranjeiras. Tem diversos certificados de participação na AAPLASA
(Associação dos Artistas Plásticos de Aracaju), bem como já expôs no espaço
cultural Djenal Queiróz, da Assembleia Legislativa; no Cultart (Centro de
Cultura e Arte da UFS); no espaço cultural da Unimed; no Palácio Museu Olímpio
Campos e em tantos outros.
Já
se disse que seus traços e pinturas sofrem influências de Modigliani e mesmo de
Tarsila do Amaral. Pode ser. Não sou um crítico de arte, mas a representação
das mulheres – tão intensa em sua obra – é mesmo um convite para apreciar e
tentar entender esse espírito sob o olhar de Conceição, que, por fim, também
escreve e faz poesia.
Milton Barboza da Silva
( Pulbicado inicialmente na Revista ECO do meio ambiente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.)ALBUM DE FOTOS DE CONCEIÇÃO AGUIAR:
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