Importância dos Arquivos Públicos e do Arquivista Para a Sociedade
Milton Barboza da Silva
Ao
longo do tempo, o arquivo foi visto como um depósito de papel velho e sem
utilidade e, dentro dele, o arquivista como um simples
funcionário que “mexe com papel”. Mas, afinal, qual a importância do arquivo
público e do arquivista para a sociedade?
Os
arquivos são repositórios de memória dos grupos sociais. Ali estão armazenados
diversos relat
Assim,
na sociedade atual, os arquivos públicos têm a função de recolher, custodiar,
preservar e conservar fundos originados no governo ou ainda de particulares que
os enviam, seja em qual suporte for: papel, fotografia, audiovisual, oriundos
de repositórios digitais, etc.
Sua
função é lidar com essas informações de modo que possam ser transmitidas aos
seus usuários, e sua competência vai além da de mero guardador de documentos:
ele é responsável pela sua projeção junto à comunidade.
Trata-se de seus serviços editoriais, de difusão cultural e de assistência
educativa. Dessa maneira, o trabalho realizado pelo arquivista deve ser todo
voltado para a valorização dos documen
É
dever do arquivista ser um agente cultural, proporcionando atividades que l
Nos
últimos anos, precisamente da década de 1990 para cá, tem aumentado a adesão ao
processo da digitalização dos acervos documentais, tanto privados como
públicos. Essa iniciativa vem fazer frente à implantação de sistemas de
e-governos, gestão eletrônica documental e migração do modelo físico para o
suporte digital. Tudo certo, afinal estamos vivendo um boom da era digital e, com o incremento da IA,
tornou-se inviável pensar tendo por base o modelo tradicional de produção e
gestão documental.
Diante desse novo paradigma, os arquivos
— precisamente os arquivistas — viram-se diante de uma questão: a migração do
suporte de produção documental para o formato digital e o que fazer diante do
desafio que se coloca. E não são poucos. Porém, como se trata de produção
documental advinda do poder público, a regulamentação e normatização fez-se
necessária. Assim, o CONARQ (Conselho Nacional de Arquivos) foi e é o órgão do
Estado brasileiro encarregado de regulamentar os procedimentos e legislar, em
todo o território nacional, as ações concernentes ao modo como proceder com a
documentação pública. Portanto, leis e decretos federais que normatizam as
práticas arquivísticas são complementados pelas resoluções do CONARQ. Fora
disso, é invencionice e aberração de cabeças que desconhecem o modo de gerir a
documentação pública e que se deixam seduzir pelo canto da sereia orquestrado
pelas empresas de Tecnologia e de Digitalização.
O lugar de fala dos procedimentos
técnicos para o tratamento da documentação pública é dos arquivistas; na
ausência desses, cabe aos profissionais que lidam cotidianamente com a
documentação gerada nos órgãos públicos. Lamentavelmente, não é o que acontece.
Os gestores públicos, em sua grande maioria por completo desconhecimento de
causa, transferem para empresas contratadas por licitação ou dispensa a
responsabilidade de decidir o que fazer com o acervo documental. A
responsabilidade dessas empresas é apenas alocar o suporte tecnológico de
captura e indexação das imagens. A taxonomia, a temporalidade e a planificação
são de responsabilidade do ente público.
Não é o que acontece. Por isso,
ressaltamos a importância do profissional da arquivologia: este deve ser
consultado no começo, no meio e ao fim de todo o processo de digitalização.
Quem decide a guarda, o descarte e o modo correto de fazê-lo é o profissional
que atua dentro dos arquivos; nunca deve ser transferida a responsabilidade
para empresas externas ou gestores que desconhecem a práxis da produção
documental.

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