Agosto, 2008
Milton Barboza da Silva
Historiador e professor universitário
Milton Barboza da Silva ( * )
O propósito desse texto é atendenter a solicitação do Conselho Estadual de Cultura para analisar a atuação política de Eronides Ferreira de Carvalho no cenário
sergipano entre os anos de 1935 e 1941, contextualizando seu governo dentro das
transformações econômicas e sociais do Brasil pós-1930. A análise baseia-se em
fontes históricas e bibliográficas regionais (como os trabalhos de Ibarê Dantas
e Terezinha Oliva) para compreender as tensões entre o tradicionalismo local e
a modernização centralizadora nacional.
1. Formação e Ascensão ao Poder
Nascido
em Canhoba (1897), filho de um próspero fazendeiro, Eronides formou-se em
Medicina na Bahia e construiu carreira como oficial-médico do Exército (28º
B.C. em Aracaju). Pautado pelo legalismo, não aderiu ao tenentismo dos anos
1920. Em 1935, foi eleito governador de Sergipe pela Assembleia Legislativa em
uma votação apertada, fruto de uma costura política (União Republicana de
Sergipe e PSD) que uniu os setores dominantes da economia açucareira e
ruralista, iniciando uma fase oposta à do Interventor anterior, Augusto Maynard
Gomes.
2. Características do Governo e
Alinhamento com o Estado Novo
O governo
de Eronides foi marcado pelo retorno do domínio ruralista tradicional, pelo
conservadorismo e pelo combate enérgico às lideranças operárias e comunistas
locais (especialmente após a Intentona Comunista de 1935). Ele soube usar o
endurecimento do regime federal para silenciar a imprensa e afastar opositores
em Sergipe.
Com o
Golpe de 1937 e a instauração do Estado Novo, Eronides tornou-se Interventor,
demonstrando perfeita sintonia com Getúlio Vargas. O período foi caracterizado
por:
3. Crise, Denúncias e Queda
Apesar do
controle político, o governo enfrentou oposição acirrada liderada por Leandro
Maciel (PSD) e pelo grupo de Augusto Maynard. O declínio de Eronides junto ao
governo federal acelerou-se com uma série de denúncias de improbidade
administrativa enviadas diretamente a Vargas (incluindo desvio de dinheiro,
enriquecimento ilícito e favorecimento familiar).
Vargas
instaurou uma comissão de inquérito comandada por Carlos Mário Faveret, que
confirmou várias acusações. Sem o apoio do presidente e perdendo a proteção de
seu padrinho político, o General Góis Monteiro, Eronides de Carvalho viu-se
isolado. Em 1941, após tentar sem sucesso uma audiência com Vargas no Rio de
Janeiro, renunciou ao cargo, consolidando sua queda.
Após
deixar o governo de Sergipe, Eronides fixou residência no Rio de Janeiro, onde
atuou como Juiz do Tribunal de Segurança Nacional e Tabelião do 14º Ofício de Notas do Rio de
Janeiro. Morre em 18 de março de 1969.
Por que os meses têm quantidades
diferentes de dias?
Muita gente já
se perguntou por que alguns meses têm 31 dias, outros 30 e fevereiro tem menos
dias que todos os demais.
Uma das
explicações mais conhecidas remonta à época de Júlio César, quando ele reformou
o calendário romano. Segundo essa tradição, os meses ímpares passaram a ter 31
dias e os meses pares, 30 dias, com exceção de fevereiro, que ficou com menos
dias para que o ano mantivesse 365 dias. Na época, fevereiro teria 29 dias nos anos
comuns e 30 nos anos bissextos.
Mais tarde, o
imperador Augusto teria decidido que o mês de agosto, que leva seu nome, não
poderia ser inferior ao mês de julho, dedicado a Júlio César e com 31 dias.
Assim, um dia teria sido retirado de fevereiro e acrescentado a agosto, que
passou a ter 31 dias. Por isso, julho e agosto ficaram com 31 dias
consecutivos, enquanto fevereiro passou a ter apenas 28 dias nos anos comuns.
Por que 1900
não foi bissexto?
Outra dúvida
comum é: se os anos bissextos ocorrem de quatro em quatro anos, por que 1896
foi bissexto, mas 1900 não? E por que o próximo ano bissexto só veio em 1904?
A resposta está na duração real
do ano. O chamado ano tropical — o tempo que a Terra leva para completar uma
volta ao redor do Sol — dura aproximadamente 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 47
segundos. Como o calendário comum considera apenas 365 dias, sobra uma
diferença de quase seis horas por ano.
Ao longo de
quatro anos, essa diferença acumula cerca de 24 horas. Por isso, acrescenta-se
um dia ao calendário a cada quatro anos, criando o ano bissexto.
No entanto,
essa correção não é perfeita. O dia extra acrescentado a cada quatro anos é um
pouco maior do que a diferença real acumulada. Com o passar dos séculos, isso
geraria um novo desajuste no calendário.
Para corrigir
esse problema, foi criada uma regra especial para os anos que terminam em
"00" (os chamados anos seculares). Nesses casos, o ano só será
bissexto se for divisível por 400.
Por isso:
·
1600 foi bissexto;
·
1700, 1800 e 1900 não foram bissextos;
·
2000 foi bissexto;
·
2100 não será bissexto.
Já os demais
anos continuam seguindo a regra normal: são bissextos quando são divisíveis por
4. Assim, 1896 foi bissexto, 1900 não foi, e 1904 voltou a ser bissexto.
Em resumo, a
regra atual é simples: um ano é bissexto se for divisível por 4. Porém, se ele
terminar em "00", também precisa ser divisível por 400.