quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Cólera em Sergipe - Parte I
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Fundamentos Sociais do Racismo
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Notícias sobre as teorias explicativas do Universo
Tempos atrás, durante um curso
de pós-graduação no qual ministrava uma disciplina relacionada com a prática do
ensino da História, fui abordado por um aluno sobre a dificuldade que ele
sentia, enquanto professor, para tratar de assuntos como a origem do Universo.
Daí surgiu a necessidade deste texto.
A
curiosidade humana sobre a origem, evolução e destino do Universo tem
suscitado, ao longo do tempo, valorosos debates que transitam do campo
mitológico para o teológico e deste para o filosófico, sendo que hoje o debate
foi transferido para a ciência, a exemplo da Cosmologia, Astronomia, Física,
Matemática, bem como da Astrofísica. Como podemos deduzir, a discussão foi
transferida para o âmbito da ciência experimental e teórica. Apesar disso,
muitas das afirmações e muito do que sabemos sobre o Universo não passam de
especulações, mesmo quando a especulação parte de uma pretensa afirmação
científica, pois faltam os instrumentos e os recursos comprobatórios das
pesquisas cosmológicas, tão necessários à observação.
O que tem
“retardado” o desenvolvimento dos conhecimentos científicos sobre o Universo?
Na verdade, não podemos falar em retardamento, em sentido estrito, apenas em
sua compreensão mais larga, como atesta o que já foi conquistado pela ciência
em afirmações e teorias comprovadas, tais como: a teoria Heliocêntrica
(Copérnico); a Lei da Gravitação (Newton); a Relatividade Geral (Einstein); a
Expansão do Universo (Edwin Hubble); a Radiação cósmica de fundo (George
Gamow); e a ideia de que se o Universo teve um princípio, então terá um fim
(Stephen Hawking). Tudo isso e muito mais, não é pouco! Ao contrário,
caminhamos mais nos últimos 400 anos de pesquisas sobre o Cosmos do que em
milênios de especulações que antecederam os quatro últimos séculos. No entanto,
quando falamos em atraso do conhecimento sobre o Universo, queremos indagar o
porquê de não se fazerem afirmações mais conclusivas sobre sua origem e
natureza, como de resto se faz em outros campos do saber científico.
Atribuímos
tal resistência — isto é, a morosidade das afirmações cosmológicas — ao fato de
as observações sobre o Cosmos serem prejudicadas devido às grandezas das
medidas universais, tais como distância, temperatura, geometria e topografia
espaciais. Essas grandezas estão muito além do que os nossos equipamentos de
observação conseguem captar. Além disso, ainda temos que enfrentar uma espécie
de camisa de força sobre a nossa capacidade mental: trata-se de estarmos
limitados à noção de tempo e espaço terrestres e termos que lidar com dimensões
que extrapolam toda a referência temporal e espacial.
Não
obstante as considerações acima, já podemos nos indagar e obter respostas, com
uma certa margem de segurança, sobre como surgiu o Universo. O Universo está
pronto e acabado, ou está em constante expansão? Há fronteiras no Universo? Um
dia o Universo terá fim? O que são os buracos negros? E tantas outras questões
em que já podemos vislumbrar uma comprovação empírica acerca de suas respostas.
A questão
elementar no estudo sobre o Cosmos é a de sua origem. Para explicar a origem do
Universo vários modelos já foram testados, mas o mais aceito é o do Big Bang.
Este modelo foi elaborado em 1922, obtido como solução das equações da
relatividade geral nos estudos de Aleksandr Friedmann (físico russo), cuja consequência
mais importante foi a de concluir que o Universo está em expansão (Hubble). O
modelo explicativo da origem do Universo a partir do Big Bang, apesar de ser
novel, segue o esquema teórico de Copérnico, segundo o qual o Universo é de
natureza homogênea. Assim, só se pode conceber um ponto de onde o Universo
teria se originado caso consideremos sua homogeneidade; do contrário, teríamos
que adotar outro modelo que partiria da ideia de múltiplos pontos de origem,
sendo o Universo, portanto, heterogêneo.
O Big
Bang, ou a grande explosão que deu origem ao Universo, ocorreu em um ponto
qualquer, não em um espaço determinado, até porque esse espaço não existia:
fora criado no ato da explosão, num instante zero ($t = 0$). É,
literalmente, o início dos tempos — ou do tempo. O que teria provocado o grande
estouro? Bem, gostaríamos de saber; por enquanto, temos que nos contentar
apenas com o entendimento de seu funcionamento, digo, da singularidade dessa
explosão: “tudo” foi concentrado num único ponto com imensa densidade e
temperatura inimagináveis e, de repente, desse ponto tudo explode — e tudo isso
teria ocorrido há aproximadamente quinze bilhões de anos. Para termos uma vaga
ideia dessa explosão, basta considerarmos que a luminosidade (radiação de fundo)
proveniente do estouro ainda continua no Cosmos, nas suas “bordas” de expansão,
bem como o som originado por ela ainda viaja pelo espaço infinito.
Notas
1.
Para se ter uma noção da fragilidade da compreensão dos
estudos cosmológicos, lembremos que a distância entre o Sol e a Terra é de
apenas 150 milhões de km; que as distâncias cósmicas são medidas em
megaparsecs, onde 1 Mpc é da ordem de $30.000.000.000.000.000\text{
km}$; que o tempo que uma estrela de nêutrons ou uma anã branca
levaria para se transformar em um buraco negro é de $10^{1000}$ anos,
ou seja, o número 1 seguido de mil zeros. Isso tudo é demais para a captação
atual dos instrumentos à disposição do homem.
2.
Vide nota 01.
3.
A única maneira que teríamos para representar
geometricamente o Cosmos seria em três dimensões, porém precisaríamos estar em
quatro dimensões, pois somente alguém que se encontre na quarta dimensão
conseguiria representar um objeto tridimensionalmente; assim, a topografia do
Universo fica prejudicada por essa impossibilidade espacial e temporal.
4.
A expansão do Universo foi comprovada por Edwin Hubble
em 1930 que, aplicando o efeito Doppler (segundo o qual, quando as galáxias se
afastam, fazem com que o espectro [cores] varie do tom violeta ao vermelho),
concluiu que quanto mais distantes as galáxias, mais avermelhadas elas ficam.
5.
Na verdade, não podemos ainda afirmar, categoricamente,
que o Universo seja homogêneo ou heterogêneo. Trata-se de modelos teóricos que
podem se ajustar a um ou outro sistema de pensamento cosmológico. No fundo não
importa muito, isto é, não alteraria fundamentalmente as conclusões daí
advindas.
6.
Recentemente a NASA afirmou ter gravado um som que
seria o eco dessa explosão.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL: UMA CASA DE MEMÓRIA
Ainda que não me agrade fazê-lo, tenho que concordar com o pensamento central de LAB. No entanto, vou fazer algumas colocações que, no varejo, devem destoar da tese do citado articulista.
O
Arquivo Público Estadual é um órgão da administração direta cuja função
primordial
Por tudo que foi dito
acima
O que seria da obra, em seu conjunto, da saudosa
e recém-falecida Profa. Maria Thétis Nunes, do também saudoso Prof. José
Silvério Fontes, da Profa. Maria da Glória Santana de Almeida, da Profa.
Beatriz Góis Dantas e de Ibarê Dantas, da Profa. Terezinha Oliva e de Maria Neli Santos sem o acervo do Arquivo Público Estadual
de Sergipe? Apenas para ficar nesses historiadores que tiveram atuação nas
últimas três décadas. Nosso rico e inestimável acervo foi incorporado ao r
Contudo, afirmo: o APES
existe como patrimônio cultural de Sergipe, apesar das autoridades que passaram
Nos últimos trinta anos, ou pouco mais,
registramos apenas duas intervenções dignas de nota: a primeira, no governo
Paulo Barreto de Menezes, quando se determinou que “as
Secretarias Estaduais, as Repartições do Estado, os órgãos de Administração
Indireta, as Autarquias Estaduais, as Prefeituras e os Cartórios deverão
recolher ao Arquivo Público Estadual seus acervos de do
Até disposição em contrário, tanto o Decreto nº
2.080/71 quanto a Lei nº 2.202/78 ainda estão em vigência. O que me causa
espanto no tocante à legislação citada é que, nos
últimos vinte anos, aproximadamente, quando os gestores são cobrados quanto ao
cumprimento das referidas leis, há quase uma unanimidade em afirmar que se
trata de uma legislação antiquada e que é necessário ajus
Nos últimos 18 anos,
estive responsável pela seção de Arquivo Permanente do APES — esse setor é o
responsável direto pela documentação da instituição (em tempo: não estou mais
no Arquivo Público Estadual). Durante esse tempo, e
Elaborei diagnósticos,
fiz pareceres técnicos, apresentei projetos para solucionar problemas do
acervo, todos endereçados aos diretores que passaram pelo Arquivo ou aos
Secretários de Estado da Cultura, mas nunca obtive respostas; quando muito, a
resposta vinha em forma de uma refor
Apesar de tudo isso, o Arquivo Público Estadual é
uma letra viva, pois vive na memória científica de Sergipe e do Brasil. O APES
é uma prova inconteste de que a cultura vive e
sobrevive com ou sem investimentos públicos, pois o investimento para o setor
de Arquivo nos últimos 30 anos em Sergipe foi zero. Mas o nosso patrimônio
arquivístico está erguido nas letras da ciência histórica, que é viva.
Milton Barboza
Historiador e Professor universitário




