segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Notícias sobre as teorias explicativas do Universo




         Notícias sobre as teorias explicativas do Universo


 



Tempos atrás, durante um curso de pós-graduação no qual ministrava uma disciplina relacionada com a prática do ensino da História, fui abordado por um aluno sobre a dificuldade que ele sentia, enquanto professor, para tratar de assuntos como a origem do Universo. Daí surgiu a necessidade deste texto.

A curiosidade humana sobre a origem, evolução e destino do Universo tem suscitado, ao longo do tempo, valorosos debates que transitam do campo mitológico para o teológico e deste para o filosófico, sendo que hoje o debate foi transferido para a ciência, a exemplo da Cosmologia, Astronomia, Física, Matemática, bem como da Astrofísica. Como podemos deduzir, a discussão foi transferida para o âmbito da ciência experimental e teórica. Apesar disso, muitas das afirmações e muito do que sabemos sobre o Universo não passam de especulações, mesmo quando a especulação parte de uma pretensa afirmação científica, pois faltam os instrumentos e os recursos comprobatórios das pesquisas cosmológicas, tão necessários à observação.

O que tem “retardado” o desenvolvimento dos conhecimentos científicos sobre o Universo? Na verdade, não podemos falar em retardamento, em sentido estrito, apenas em sua compreensão mais larga, como atesta o que já foi conquistado pela ciência em afirmações e teorias comprovadas, tais como: a teoria Heliocêntrica (Copérnico); a Lei da Gravitação (Newton); a Relatividade Geral (Einstein); a Expansão do Universo (Edwin Hubble); a Radiação cósmica de fundo (George Gamow); e a ideia de que se o Universo teve um princípio, então terá um fim (Stephen Hawking). Tudo isso e muito mais, não é pouco! Ao contrário, caminhamos mais nos últimos 400 anos de pesquisas sobre o Cosmos do que em milênios de especulações que antecederam os quatro últimos séculos. No entanto, quando falamos em atraso do conhecimento sobre o Universo, queremos indagar o porquê de não se fazerem afirmações mais conclusivas sobre sua origem e natureza, como de resto se faz em outros campos do saber científico.

Atribuímos tal resistência — isto é, a morosidade das afirmações cosmológicas — ao fato de as observações sobre o Cosmos serem prejudicadas devido às grandezas das medidas universais, tais como distância, temperatura, geometria e topografia espaciais. Essas grandezas estão muito além do que os nossos equipamentos de observação conseguem captar. Além disso, ainda temos que enfrentar uma espécie de camisa de força sobre a nossa capacidade mental: trata-se de estarmos limitados à noção de tempo e espaço terrestres e termos que lidar com dimensões que extrapolam toda a referência temporal e espacial.

Não obstante as considerações acima, já podemos nos indagar e obter respostas, com uma certa margem de segurança, sobre como surgiu o Universo. O Universo está pronto e acabado, ou está em constante expansão? Há fronteiras no Universo? Um dia o Universo terá fim? O que são os buracos negros? E tantas outras questões em que já podemos vislumbrar uma comprovação empírica acerca de suas respostas.

A questão elementar no estudo sobre o Cosmos é a de sua origem. Para explicar a origem do Universo vários modelos já foram testados, mas o mais aceito é o do Big Bang. Este modelo foi elaborado em 1922, obtido como solução das equações da relatividade geral nos estudos de Aleksandr Friedmann (físico russo), cuja consequência mais importante foi a de concluir que o Universo está em expansão (Hubble). O modelo explicativo da origem do Universo a partir do Big Bang, apesar de ser novel, segue o esquema teórico de Copérnico, segundo o qual o Universo é de natureza homogênea. Assim, só se pode conceber um ponto de onde o Universo teria se originado caso consideremos sua homogeneidade; do contrário, teríamos que adotar outro modelo que partiria da ideia de múltiplos pontos de origem, sendo o Universo, portanto, heterogêneo.

O Big Bang, ou a grande explosão que deu origem ao Universo, ocorreu em um ponto qualquer, não em um espaço determinado, até porque esse espaço não existia: fora criado no ato da explosão, num instante zero ($t = 0$). É, literalmente, o início dos tempos — ou do tempo. O que teria provocado o grande estouro? Bem, gostaríamos de saber; por enquanto, temos que nos contentar apenas com o entendimento de seu funcionamento, digo, da singularidade dessa explosão: “tudo” foi concentrado num único ponto com imensa densidade e temperatura inimagináveis e, de repente, desse ponto tudo explode — e tudo isso teria ocorrido há aproximadamente quinze bilhões de anos. Para termos uma vaga ideia dessa explosão, basta considerarmos que a luminosidade (radiação de fundo) proveniente do estouro ainda continua no Cosmos, nas suas “bordas” de expansão, bem como o som originado por ela ainda viaja pelo espaço infinito.

Notas

1.      Para se ter uma noção da fragilidade da compreensão dos estudos cosmológicos, lembremos que a distância entre o Sol e a Terra é de apenas 150 milhões de km; que as distâncias cósmicas são medidas em megaparsecs, onde 1 Mpc é da ordem de $30.000.000.000.000.000\text{ km}$; que o tempo que uma estrela de nêutrons ou uma anã branca levaria para se transformar em um buraco negro é de $10^{1000}$ anos, ou seja, o número 1 seguido de mil zeros. Isso tudo é demais para a captação atual dos instrumentos à disposição do homem.

2.      Vide nota 01.

3.      A única maneira que teríamos para representar geometricamente o Cosmos seria em três dimensões, porém precisaríamos estar em quatro dimensões, pois somente alguém que se encontre na quarta dimensão conseguiria representar um objeto tridimensionalmente; assim, a topografia do Universo fica prejudicada por essa impossibilidade espacial e temporal.

4.      A expansão do Universo foi comprovada por Edwin Hubble em 1930 que, aplicando o efeito Doppler (segundo o qual, quando as galáxias se afastam, fazem com que o espectro [cores] varie do tom violeta ao vermelho), concluiu que quanto mais distantes as galáxias, mais avermelhadas elas ficam.

5.      Na verdade, não podemos ainda afirmar, categoricamente, que o Universo seja homogêneo ou heterogêneo. Trata-se de modelos teóricos que podem se ajustar a um ou outro sistema de pensamento cosmológico. No fundo não importa muito, isto é, não alteraria fundamentalmente as conclusões daí advindas.

6.      Recentemente a NASA afirmou ter gravado um som que seria o eco dessa explosão.

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