segunda-feira, 18 de maio de 2026

                                                             13 de Maio

Milton Barboza da Silva 


    A historiografia tradicional costumou marcar os fatos históricos por meio de eras, séculos, milênios ou mesmo datas específicas. Os historiadores da pós-modernidade têm aversão à forma como essa marcação temporal é feita, pois sabemos que a História é muito mais do que uma data: trata-se de um processo marcado por avanços, retrocessos e rupturas dentro de uma dialética infindável.

    O movimento negro no Brasil não comemora o 13 de Maio da forma como a historiografia tradicional o apresentou, isto é, como o “Dia da Abolição da Escravatura”. Esse movimento denuncia que a escravidão no Brasil continuou mesmo após a assinatura da Lei Áurea e que, nesses 138 anos desde sua promulgação, a população negra ainda sofre os efeitos e as consequências de mais de 300 anos de escravidão.

     Concordo com o movimento negro brasileiro, pois as condições da população preta no país revelam, no mínimo, um cenário de desigualdade e injustiça social visível a olho nu. Tivemos alguns avanços, é verdade. Parte deles resulta da luta dos diversos coletivos negros ao longo do tempo; outra parte decorre de leis implementadas por governos progressistas nos últimos 20 anos, como a Lei de Cotas, de 2012, entre outras políticas afirmativas adotadas no Brasil.

     Ainda há muito a ser feito para combater as práticas cotidianas de racismo, sejam elas veladas ou ostensivas. Criminalizar essas práticas já é um começo importante, mas também é necessário estimular o conhecimento e a formação crítica da população por meio de modelos educacionais que abordem essa questão de maneira reflexiva.

      Educação e cultura, juntas, podem contribuir significativamente para a transformação desse cenário triste de exclusão e marginalização dos povos de origem africana no Brasil.


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