quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Centenário de Eronides de Carvalho






        A Trajetória Política de Eronides de Carvalho (1935–1941)

Milton Barboza da Silva ( * )


O  propósito desse texto é atendenter a solicitação do Conselho Estadual de Cultura para analisar a atuação política de Eronides Ferreira de Carvalho no cenário sergipano entre os anos de 1935 e 1941, contextualizando seu governo dentro das transformações econômicas e sociais do Brasil pós-1930. A análise baseia-se em fontes históricas e bibliográficas regionais (como os trabalhos de Ibarê Dantas e Terezinha Oliva) para compreender as tensões entre o tradicionalismo local e a modernização centralizadora nacional.

1. Formação e Ascensão ao Poder

Nascido em Canhoba (1897), filho de um próspero fazendeiro, Eronides formou-se em Medicina na Bahia e construiu carreira como oficial-médico do Exército (28º B.C. em Aracaju). Pautado pelo legalismo, não aderiu ao tenentismo dos anos 1920. Em 1935, foi eleito governador de Sergipe pela Assembleia Legislativa em uma votação apertada, fruto de uma costura política (União Republicana de Sergipe e PSD) que uniu os setores dominantes da economia açucareira e ruralista, iniciando uma fase oposta à do Interventor anterior, Augusto Maynard Gomes.

2. Características do Governo e Alinhamento com o Estado Novo

O governo de Eronides foi marcado pelo retorno do domínio ruralista tradicional, pelo conservadorismo e pelo combate enérgico às lideranças operárias e comunistas locais (especialmente após a Intentona Comunista de 1935). Ele soube usar o endurecimento do regime federal para silenciar a imprensa e afastar opositores em Sergipe.

Com o Golpe de 1937 e a instauração do Estado Novo, Eronides tornou-se Interventor, demonstrando perfeita sintonia com Getúlio Vargas. O período foi caracterizado por:

  • Centralização e Doutrinação: Forte controle da sociedade civil e uso massivo da propaganda cívica e governamental.
  • Ações Administrativas: Graças a uma reforma tributária federal que aumentou a receita estadual, realizou obras públicas pontuais, sobretudo na saúde (Palácio Serigy, Hospital Infantil) e educação.
  • Práticas Getulistas: Diante da crise açucareira, aproximou-se de antigos opositores rurais e buscou cooptar lideranças sindicais para transmitir uma imagem de paz social.

3. Crise, Denúncias e Queda

Apesar do controle político, o governo enfrentou oposição acirrada liderada por Leandro Maciel (PSD) e pelo grupo de Augusto Maynard. O declínio de Eronides junto ao governo federal acelerou-se com uma série de denúncias de improbidade administrativa enviadas diretamente a Vargas (incluindo desvio de dinheiro, enriquecimento ilícito e favorecimento familiar).

Vargas instaurou uma comissão de inquérito comandada por Carlos Mário Faveret, que confirmou várias acusações. Sem o apoio do presidente e perdendo a proteção de seu padrinho político, o General Góis Monteiro, Eronides de Carvalho viu-se isolado. Em 1941, após tentar sem sucesso uma audiência com Vargas no Rio de Janeiro, renunciou ao cargo, consolidando sua queda.

Após deixar o governo de Sergipe, Eronides fixou residência no Rio de Janeiro, onde atuou como Juiz do Tribunal de Segurança Nacional e Tabelião do 14º Ofício de Notas do Rio de Janeiro. Morre em 18 de março de 1969.


(*) Conferência Apresentada no Conselho Estadual de Cultura, por ocasião do Centenário de nascimento de Eronides de Carvalho ( 1897 - !997 ) , Abril de 1997.

Para ter acesso a Conferência na íntegra clique no Link:

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