Milton Barboza da Silva ( * )
O propósito desse texto é atendenter a solicitação do Conselho Estadual de Cultura para analisar a atuação política de Eronides Ferreira de Carvalho no cenário
sergipano entre os anos de 1935 e 1941, contextualizando seu governo dentro das
transformações econômicas e sociais do Brasil pós-1930. A análise baseia-se em
fontes históricas e bibliográficas regionais (como os trabalhos de Ibarê Dantas
e Terezinha Oliva) para compreender as tensões entre o tradicionalismo local e
a modernização centralizadora nacional.
1. Formação e Ascensão ao Poder
Nascido
em Canhoba (1897), filho de um próspero fazendeiro, Eronides formou-se em
Medicina na Bahia e construiu carreira como oficial-médico do Exército (28º
B.C. em Aracaju). Pautado pelo legalismo, não aderiu ao tenentismo dos anos
1920. Em 1935, foi eleito governador de Sergipe pela Assembleia Legislativa em
uma votação apertada, fruto de uma costura política (União Republicana de
Sergipe e PSD) que uniu os setores dominantes da economia açucareira e
ruralista, iniciando uma fase oposta à do Interventor anterior, Augusto Maynard
Gomes.
2. Características do Governo e
Alinhamento com o Estado Novo
O governo
de Eronides foi marcado pelo retorno do domínio ruralista tradicional, pelo
conservadorismo e pelo combate enérgico às lideranças operárias e comunistas
locais (especialmente após a Intentona Comunista de 1935). Ele soube usar o
endurecimento do regime federal para silenciar a imprensa e afastar opositores
em Sergipe.
Com o
Golpe de 1937 e a instauração do Estado Novo, Eronides tornou-se Interventor,
demonstrando perfeita sintonia com Getúlio Vargas. O período foi caracterizado
por:
- Centralização
e Doutrinação: Forte controle da sociedade civil e uso
massivo da propaganda cívica e governamental.
- Ações
Administrativas: Graças a uma reforma tributária federal que
aumentou a receita estadual, realizou obras públicas pontuais, sobretudo
na saúde (Palácio Serigy, Hospital Infantil) e educação.
- Práticas
Getulistas: Diante da crise açucareira, aproximou-se de
antigos opositores rurais e buscou cooptar lideranças sindicais para
transmitir uma imagem de paz social.
3. Crise, Denúncias e Queda
Apesar do
controle político, o governo enfrentou oposição acirrada liderada por Leandro
Maciel (PSD) e pelo grupo de Augusto Maynard. O declínio de Eronides junto ao
governo federal acelerou-se com uma série de denúncias de improbidade
administrativa enviadas diretamente a Vargas (incluindo desvio de dinheiro,
enriquecimento ilícito e favorecimento familiar).
Vargas
instaurou uma comissão de inquérito comandada por Carlos Mário Faveret, que
confirmou várias acusações. Sem o apoio do presidente e perdendo a proteção de
seu padrinho político, o General Góis Monteiro, Eronides de Carvalho viu-se
isolado. Em 1941, após tentar sem sucesso uma audiência com Vargas no Rio de
Janeiro, renunciou ao cargo, consolidando sua queda.
Após
deixar o governo de Sergipe, Eronides fixou residência no Rio de Janeiro, onde
atuou como Juiz do Tribunal de Segurança Nacional e Tabelião do 14º Ofício de Notas do Rio de
Janeiro. Morre em 18 de março de 1969.
(*) Conferência Apresentada no Conselho Estadual de Cultura, por ocasião do Centenário de nascimento de Eronides de Carvalho ( 1897 - !997 ) , Abril de 1997.
Para ter acesso a Conferência na íntegra clique no Link:
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